Rafael Tallarico, Advogado

Rafael Tallarico

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Advogado - OAB/SP 343.858. 27 anos. Formado em Direito pelo Centro Universitário FIEO. Extensão em Novo Processo Civil e Prática Penal pelo Damásio; Extensão em Direito Penal Empresarial e Compliance pela PUCSP. Atua na área de Direito Empresarial, Societário, Processual Civil e Penal.

Comentários

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Rafael Tallarico, Advogado
Rafael Tallarico
Comentário · há 3 anos
Olá Ramon, agradeço pela opinião, pois aqui é um espaço aberto para o debate. Mas me permita contestar algumas afirmações, apenas por entender que o assunto mereça essa atenção.

1- Tenho pra mim, que a legalização deva acontecer de forma a agregar a educação, a segurança e o acesso a informação. Eu não sou a favor de que daqui 1 ano seja tudo legalizado. Penso que o melhor caminho seria legalizar, sim. Contudo, deveria haver um preparo educacional, social e de ampla informação para toda a sociedade, como medida preparatória para aí então legalizar. Lembrando que o tema legalização é uma medida para obtenção de resultados à médio e longo prazo. E, sim, a ideia da legalização é ela ser regulamentada como um todo e não só legalizar e pronto.

2- Segundo ponto, penso que você deveria ser o primeiro a querer a legalização, haja vista que trabalha na linha de frente contra o tráfico e sabe que o combate ostensivo não funciona.

3- O terceiro ponto levantado por você mesmo, é o maior motivo pelo qual as drogas devem ser legalizadas. O estado e os agente corruptos não devem achar "interessante" as drogas continuarem ilícitas. Se é interessante isso, é interessante pra quem? Manter criminalizado é interessante apenas para corruptos e agente do crime. A população precisa da legalização para parar de sofrer.

4- Sim, o cigarro e as bebidas são legalizados (outras drogas) e ainda existe contrabando. Existe contrabando por conta da questão fiscal e não por conta do tráfico. Ninguém comprar garrafa de vodka na boca de fumo. Contudo, assim como a legalização da bebida e do cigarro não acabou com o crime, a legalização das drogas também não irá acabar. Porém, imagine criminalizar o cigarro e a bebida. Impossível. Teríamos um aumento do tráfico incomensurável. Tanto é verdade que o próprio EUA voltou atrás na decisão de proibir o álcool. Então, meu caro amigo, legalizar não é solução mas apresenta um quadro real melhor para a sociedade.

5- Nessa parte eu tenho que discordar veementemente de sua pessoa. A liberdade do cidadão tem que ser garantida, independentemente do que alguns possam achar moral ou não. Quem disse que a população não saberia se portar com a legalização das drogas? Isso é uma ideia totalmente retrógrada. Sempre que o tema da legalização é ventilado, as pessoas sentem esse medo do desconhecido, mas nenhum país que se aventurou na legalização teve uma piora na situação social. Pelo contrário, a tendência é de que todos os países passem a legalizar e a permitir o uso das drogas em alguma escala.

6- Com relação a causa: Bom, o que realmente tem se provado é que as causas de dependência das substâncias possuem maior relação com fatores externos da vida das pessoas do que com a própria substância em si. Um estudo muito interessante sobre o tema encontra-se no best-seller ‘Chasing The Scream: The First and Last Days of the War on Drugs’ (À procura do medo: os primeiros e últimos dias da guerra contra as drogas, em tradução livre). Neste estudos podemos ver que a maior razão do vício está ligada diretamente com a vida que a pessoa leva e não com a substância.

Veja a ideia aqui ilustrada: http://interrogacao.com.br/2013/10/ratolandia-rat-park/
Também assista a esse vídeo: https://www.ted.com/talks/johann_hari_everything_you_think_you_know_about_addiction_is_wrong/transcript?language=pt-br

Portanto, podemos ver que o que nos ensinam sobre as drogas são uma visão deturpada da realidade. Seja por vontade consciente ou ignorante do tema. Dessa forma, tenho a convicção de dizer que o você entende por vício em drogas, não é a verdade.

7- Por fim, essa última argumentação é exatamente o que a legalização quer fazer: Combater o tráfico, a corrupção, a falta de informação e ajudar na segurança pública nacional de forma efetiva. Você deveria saber que o "modus operandi" que temos hoje não resolve nada. Enxuga gelo. Ademais, sabemos que a maioria dos países mais severos da indonésia não são os melhores países do mundo para se viver, por isso, não é isso que quero para o Brasil.

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Mariana Rissati
Comentário · há 3 anos
Complementando seu texto, Rafael, acredito que muitos argumentos contra que vejo por aí, alegando que essas drogas descriminalizadas seriam como porta de entrada para outras drogas mais pesadas caí por terra quando analisamos logicamente a situação. Uma vez que a droga não será mais comprada no meio da favela, das mãos de traficante, que incentivam o uso de drogas mais pesadas... Afinal, nunca vi ninguém que foi ao bar comprar uma cerveja e o garçom ofereceu um crack pra acompanhar. Logo, sabemos que a incitação para o uso dessas drogas mais lesivas vem diretamente de quem lucra com isso, ou seja, o traficante. Bom lembrar também que os EUA com sua ostensiva 'guerra as drogas' só serviu para fazê-lo o país com o maior índice carcerário do mundo. Por outro lado, temos a Holanda combatendo às drogas de maneira muito mais tolerante e assim, obtendo resultados muito melhores que os nossos. Além dessa objeção, ainda podemos citar o quanto um homem que comete um crime por ter sido pego com determinada quantidade de maconha (já que não temos na lei algo prevendo a partir de quantas gramas podemos considerar trafico) aprenderá dentro da cadeia o que é um crime de verdade, já que terá ótimos professores do mundo marginal, levando em consideração para essa afirmação, o dado de 70% de índice de reincidência dos presos no Brasil. A guerra contra as drogas é falida. Já dizia Hobbes: "O homem é o lobo do homem". Não há como controlar o desejo do outro. Se ele quiser usar, irá usar... O que podemos e devemos fazer é: minimizar as consequências disso em todas as esferas, seja na esfera psicológica cobrando do governo um tratamento àquele que se viciou ou na esfera econômica, diminuindo os cofres do mercado negro, que é sustentado em sua maioria pela maconha.

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